Apresentação e Concepção

A Cooperativa Desenhismos Agropecuária dos Distritos de Feira de Santana (CODAFS) tem foco nas organizações de ideias, de ações e produtos singulares com objetivo de cooperar, ou seja, de colaborar com demais pessoas da Sociedade para que todas vivam suas perspectivas de vida e alcancem resultados significativos na produção de alimentos, de educações e transformações nos contextos dos distritos. Distritos estes de Bonfim da Feira, Humildes, Governador Durval Carneiro (antiga Ipuaçu), Jaguara, Jaíba, Maria Quitéria (antiga São José), Tiquaruçu e Matinha. CODAFS possue laços de linhas de ideias orientadoras para todas as ações cooperativistas: 

- O pensamento coletivo cooperativo e intercooperativo; 

- Adesão à equipe é voluntária e livre;

- Gestão democrática pelas pessoas;

- Autonomia e liberdade nas ações;

 - Produtividade nas diversas cultivares do agropecuária local;

- Resolução de situações-problema do Campo local;

- Educação Social e Institucional para formação e informação;

- Foco no desenvolvimento social-político-econômico-local.

Tercemos a CODAFS pelas ideias-ações do currículo cultural (PARAÍSO, 2007; CUNHA, 2011) do Campo o qual tem função de complementar, com as forças locais, as representações, os símbolos, os sentidos e os significados das práxis ensinadas à formação das pessoas dos distritos. Estas práxis locais, nos distritos da cidade, estão nas organizações praxeológicas das pessoas nas realizações das tarefas e das manifestações culturais diárias em rede. Com esta projeção em rede, percebe-se que as práxis são configuradas a partir de situações-problema locais, onde cada saber-fazer é conectado e interage com os saberes-fazeres das demais artes humanas.

O próprio desenvolvimento da cidade de Feira de Santana ocorreu em modo dinâmico e em rede. A gênese da Princesa do Sertão, chamada assim por Ruy Barbosa, foi pelo movimento das pessoas no pastoreio de gado (MACHADO, 1966). Concomitantemente fez-se presente a produção de mandioca, feijão e milho à subsistência, bem como tabaco e algodão para o comércio externo nos solos de Feira de Santana. A diversidade de solos, de microclimas e vegetações foram a oportunidade da Natureza às pessoas que passavam pela cidade. Áreas como Humildes, por exemplo, apresentava características muito próximas a da região do Recôncavo, enquanto as demais áreas, como o distrito da Matinha, dividiam-se entre a caatinga, com seu clima semiárido e locais de solo arenoso e argiloso conhecidos como tabuleiros, nos quais faziam-se o plantio dos produtos agrícolas da região (FREIRE, 2011).

Com o tempo, Feira de Santana, na forma de uma pequena fazenda, é transformada em Santana dos Olhos D’Água. Santana dos Olhos D’Água abrigava os(as) viajantes após cavalgarem longos percursos para, assim, abarcar uma feirinha que, logo depois, era transformada em imensa feira de cinco quilômetros de extensão. Neste lugar vendia de tudo e de tudo acontecia. E, em 1873, é denominada Cidade Comercial de Feira de Santana (MACHADO, 1966). Em tempos atuais a Feira de Santana tem mantido a grande variabilidade de produtos no comércio, o manejo de animais comerciais e o manejo de cultivares no modo de agricultura familiar. Esta última, em parte de subsistência, ao mesmo tempo em que desenvolve-se à comercialização diária pela população local e adjacente da cidade nas grandes feiras nos bairros Tomba, Feira X, Cidade Nova, Estação Nova e Centro da cidade.

Nos últimos quatro e cinco anos, verifica-se a ampliação dos períodos de estiagem e a diminuição relevante dos aguadeiros, bem como a compactação dos solos com nascentes e o aterramento dos lagos para construção de condomínios e implementos comerciais. Estes impactos no Campo da cidade fez com que a comunidade se reunisem. Estes eventos naturais e artificiais expõem a necessidade de medidas políticas, científicas e educativas para preservar e desenvolver as condições reais e objetivas às pessoas do Campo, como a orientação científica e especializada da Agronomia, da Zootecnia, da Cooperativa e da Educação Escolar do Campo, bem como a construção de tecnologias à infraestrutura de produção de alimentos agrícolas e de comercialização nas feiras dos bairros da cidade.

Esta tendência assume o trabalho e eventos da comunidade e da família enquanto princípio educativo do trabalho no Campo (ARROYO, 2012). O 1º artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), lei nº 9.393/1996, institucionaliza: “A educação abrange os processos formativos que desenvolvem-se na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”.  Isto é, as famílias de agropecuária do Campo em cooperação com a Educação Escolar conectam e interagem com os lugares do trabalho, da manifestação cultural, da família e de outros lugares de ensino e de pesquisa como a Universidade. Locais, estes, das memórias vividas pelos sujeitos do Campo.

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